sábado, 16 de abril de 2022
As fadas verdes
quarta-feira, 13 de abril de 2022
A canção da mudança - O hino das crianças
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021
Lusco-fusco
Lusco-fusco / Cristina Carvalho, il. Pierre Pratt.. Porto: Sextante Editora,2011
sábado, 12 de dezembro de 2020
Guardador de árvores
"Esta já foi a minha casa:
sentaram-se à minha sombra,
beijaram-se à minha sombra
e até tatuaram o meu corpo
com nomes, datas, corações.
Outros leram-me, sorriram
e alguns se acercaram do meu tronco
para ouvir a euforia dos pardais.
Agora a névoa arde, como arde,
nos meus ramos despidos, sufocados.
Agora sou uma estátua provisória
atacada por um mal que não conheço
nesta praça envolta em fumo e em ruído,
e o ar doente da cidade
pesa como chumbo sobre mim.
Arrancaram e levaram (para onde?)
os meus velhos companheiros de infortúnio;
como eles sou madeira sem valia,
apenas uma sombra dispensável -
e as aves, como folhas no Outono,
desertaram para sempre dos meus ramos."
"Lamento do último plátano de uma velha praça do Porto", in Guardador de árvores / João Pedro Mésseder / il. Horácio Tomé Marques. Porto: Trampolim, 2009.
sábado, 28 de novembro de 2020
Guardador de árvores
A temática ambiental, ou a sua designação num sentido mais estrutural, a Ecoliteracia é uma das áreas essenciais para a formação de leitores, mas também no seu sentido mais genérico, a da formação dos valores nas pessoas e assim na sociedade. Tema essencial não só porque faz despontar o valor daquilo que está para lá de cada um, o espaço natural, como afirma o outro, aqui em dimensões várias como algo em que cada um se materializa como uma relação.
sexta-feira, 6 de novembro de 2020
A minha primeira Sophia
sábado, 31 de outubro de 2020
Pó de estrelas
Buracos Negros
domingo, 18 de outubro de 2020
A árvore generosa
A Árvore generosa é um título escrito em 1964 e que se tornou um clássico a tratar a questão ambiental, ou seja a relação do Homem com a Natureza. É um livro que se nos apresenta com pouco texto e que nos conduz muito pela ilustração para nos dar uma mensagem simples e forte. A da generosidade da Natureza concedida ao Homem.
A Natureza está aqui personificada na figura de uma criança, de um menino que cresce. É a partir de uma entrega sem condições da árvore a um menino que nos surgem diferentes temáticas. A Natureza é a mais evidente, mas também as questões do tempo, a amizade, o crescimento e as escolhas de vida e o modo como respondemos aos desafios com que todos vamos sendo confrontados. Voltando aos temas sem dúvida que ela nos conduz à generosidade da Natureza em confronto com a mesquinhez do Homem.
Nessa condução pela generosidade vimos como os desejos são muitas vezes ausentes de afecto, descomprometidos com uma sinceridade genuína face aos outros, neste caso face à árvore. No fim a obra coloca-nos um outro tema essencial, o do amor incondicional, dos seus perigos, da sua pertinência para a sobrevivência de algo. Resta uma última pergunta. Deveria a árvore amar tão incondicionalmente a ponto de se esquecer de si própria de um modo tão substantivo?
A obra A árvore generosa levanta questões muito relevantes. Em primeiro lugar a questão do valor da Natureza e o que ela dá generosamente à espécie humana. Relacionado com esse tema está o tempo, o crescimento, as escolhas de vida. A generosidade da árvore é possível ser transposta para a vida humana? É possível alargar esse rio de possibilidades até a um fim que signifique quase a sua inexistência? Afinal o que pode ser um amor incondicional e, como ele sobreviver nessa generosidade sem fronteiras? No fim resta uma pergunta, deveria a árvore amar tão incondicionalmente? A obra é de facto um título pioneiro em muitos aspetos e é nesse sentido um livro que em diferentes gerações pode trazer um questionamento substantivo a quem a ler. Se A árvore generosa é evidentemente uma bela história consegue igualmente chegar a um patamar mais elevado,o de fazer um questionamento e o de atingir um sentido de educação ecológica, aspetos tão necessários na educação literária e na formação da cidadania.
A árvore generosa / Shel
Silverstein / A árvore generosa. Figueira da Foz: Bruaá, 2011.
sábado, 10 de outubro de 2020
A viagem de Djuku
"No exacto momento em que parte, Djuku
apercebe-se de que é a primeira vez que deixa a sua aldeia.
Desde o seu nascimento até hoje, Djuku viveu sempre rodeada pelos seus na
pequena aldeia à beira da savana. Ela conhece cada recanto. E ninguém lhe é ali
desconhecido. Do mesmo modo, todos os aldeões sabem quem é Djuku:
— Djuku? É aquela que sabe assobiar, melhor até do que um pássaro!
— Quando há por aqui almoço de festa ou de cerimónia, é sempre Djuku quem os
faz: ela conhece todas as receitas e até inventa mais!
É verdade que Djuku cozinha galinha como ninguém, mas hoje Djuku vai-se embora.
Decidiu partir para longe, muito longe. É que aqui na aldeia, apesar dos amigos,
apesar das cerimónias, não há trabalho suficiente.
Fez-se à estrada e fixa os olhos na linha do horizonte para não se voltar, para
não chorar. Bem, vamos lá a ver, partir assim é demasiado duro. Então, uma
última vez, e antes que a aldeia desapareça na desordem das ervas altas, ela
olha-a. Olha-a durante tanto tempo e tão apaixonadamente que todas as coisas
onde o seu olhar toca entram no seu corpo.
Agora sim, Djuku pode pôr-se a caminho.
A velha guitarra de Quecuto entra no seu corpo. E com ela todos os perfumes das
músicas tantas vezes ouvidas.
A palmeira inclinada e o embondeiro do largo entram no seu corpo.
O caldeirão de Nhô-Nhô entra no seu corpo.
A casa de Pepito entra no seu corpo, apesar do seu tecto desgrenhado.
A barca e as redes de pesca de Benvindo que repousam sobre a areia entram no
seu corpo. Sente que todas estas coisas estão dentro dela firmemente atadas
como carga de um navio. Sente que, a cada passo dos muitos que dará, a aldeia
estará consigo."
A Viagem de Djuku / Alain Courbel e Éric Lambé. Alfragide: Caminho,
sábado, 19 de setembro de 2020
O livro negro das cores
O livro negro das cores, da autoria de Menena Cottin e Rosana Faría, que o escreveram e ilustraram dá-nos uma inovadora experiência de leitura. A personagem principal faz uma viagem de descoberta de cheiros, sabores e sons. O texto é-nos apresentado em páginas negras, oferecendo a tradução em Braille.
O livro tem ainda para oferecer um conjunto de imagens impressas em verniz que podem ser tocadas para construir essa descoberta de um fruto, de um sabor, de uma cor. O livro negro das cores explora essa ideia de que aprendemos e apreendemos com diferentes sentidos e com eles podemos encontrar formas de descobrir o que nos rodeia. Um livro muito bonito para a profundar as palavras, a partir de um objecto, de um fruto, de uma cor e de dar expressão ao que nos rodeia.
O livro negro das cores oferece uma experiência de leitura feita de grande simplicidade, mas de profundo impacto nos leitores. Nos que sejam invisuais e será nesse aspecto um livro formativo e para todos os outros para essa descoberta de descrição das cores.
Do amarelo, como algo que sabe a mostarda, ou o castanho que "estala", ou o verde que "sabe a gelado de limão". Não é um livro que tenta construir os sinais dos sentidos para alguém que não vê. Não, é um livro para descobrir e descrever as cores e os sabores, tal como esse negro, onde se desenham flutuantes os objectos. Ler de olhos fechados pode ser uma experiência de descoberta e de compreensão do que rodeia cada um. Um livro muito especial.
O livro negro das cores / Memena Cotti, il. Rosana Faría. Bruáa: Figueira da Foz, 2010.











