quarta-feira, 27 de junho de 2018

Peter Pan


Peter Pan é e será sempre um clássico. Por muitas razões.
Pela defesa desse espaço essencial a todas as crianças que é o de poder brincar. A brincadeira como possibilidade de desenvolvimento emocional, cognitivo e emocional.

O acto de brincar é hoje quase um sonho numa sociedade que pretende formatar tudo aos seus calendários virtuais, ao seu maquinismo de sucesso. A brincadeira de que trata Peter Pan é uma atitude de liberdade, a capacidade de poder escolher um espaço de construção pessoal. O tempo livre perdeu-se e a sua utilização em quadros formatados não procura o bem estar das crianças. A sociedade e o bem estar de cada um são fronteiras sem diálogo.

Peter Pan tem essa capacidade de parar o tempo e ver na fantasia, nas suas aventuras a possibilidade de redescoberta, de sobrevivência e já não só para crianças, mas para os adultos à procura de um refúgio, à procura de uma forma de rebeldia. Livro escrito por James Matthew Barrie que viveu entre o fim do século XIX e as primeiras décadas do século XX foi igualmente para ele a descoberta de um tempo mágico, mesmo que o tenha escrito em adulto. 

Peter Pan é um dos grandes livros do património mundial da humanidade e que é acompanhado por outros títulos que fizeram dos lugares e das personagens imaginadas um território para transpor esse domínio e chegar à possível realidade. Àquela que nós lhe concedemos e que valiosos livros nos dão em horizontes de liberdade. Não se enganem. Peter Pan não é uma história de crianças.


Peter Pan, (2017). J. M. Barrie. Lisboa: Fábula. ISBN: 978-989- 7075-21-6

domingo, 6 de maio de 2018

Dia da mãe

 
Ilustrações de Teresa Herrero e Soledad Sebastian (acima) e Justine Brx e Lin Wang (abaixo).

 

Um conjunto de ilustrações sobre a maternidade, do aconchego entre a mãe os filhos, numa dedicatória que é de todos os dias. Uma lembrança de sempre, mesmo para os que apenas as podem ter no coração.

quarta-feira, 25 de abril de 2018

25 de Abril...

Era um Abril de amigo Abril de trigo
Abril de trevo e trégua e vinho e húmus
Abril de novos ritmos novos rumos.

Era um Abril comigo Abril contigo
ainda só ardor e sem ardil
Abril sem adjectivo Abril de Abril.

Era um Abril na praça Abril de massas
era um Abril na rua Abril a rodos
Abril de sol que nasce para todos.

Abril de vinho e sonho em nossas taças
era um Abril de clava Abril em acto
em mil novecentos e setenta e quatro.

Era um Abril viril Abril tão bravo
Abril de boca a abrir-se Abril palavra
esse Abril em que Abril se libertava.

Era um Abril de clava Abril de cravo
Abril de mão na mão e sem fantasmas
esse Abril em que Abril floriu nas armas. 


Manuel Alegre, "Abril de Abril", in 30 Anos de Poesia. Lisboa: D. Quixote

quinta-feira, 19 de abril de 2018

O caderno do avô Heinrich

Título: O caderno do avô Heinrich
Autor: Conceição Dinis Tomé
Edição: 1ª
Páginas: ...
Editor: Editorial Presença
ISBN: 978-972-235130-0
CDU: 82-93

(...) há homens que são loucos  e que,  quando têm o poder nas mãos, aproveitam para concretizar todos os seus delírios e dar voz a todos os fantasmas e ódios que têm dentro de si.  

(...) uma neblina  espessa pairava sobre o parque, ocultando a capa das árvores. A chuva continuava a cair, uma carícia sobre as flores. Nas árvores despontavam as primeiras folhas, tenras e de um verde frágil, e, nos canteiros, as tulipas irrompiam coloridas e alegres, indiferentes à guerra".

" É possível acordar todas as manhãs e começar de novo. Como se a vida nos desse a possibilidade, em cada aurora, de a reinventar e de a transformar. Acho que foi sempre isso que eu tentei fazer. Houve muitos dias em que o consegui e outros em que me deixei apenas arrastar ao longo das horas, à espera de um novo amanhecer. Nesses dias, sempre soube que um livro é o melhor refúgio, como um colo quente ou um chocolate acabado de fazer. Ou um aroma  do pão a sair do forno. E que, dentro de um livro, encontraremos sempre liberdade. 


Conceição Dinis Tomé, O caderno do avô Heinrich, págs. 76, 36 e 53.

domingo, 15 de abril de 2018

Pequenas pessoas na cidade


Slinkachu trabalha em miniaturas desde 2006. A sua intervenção baseia-se em remodelar e pintar miniaturas que depois são deixadas na rua. Trabalha pois num conjunto de suportes e materiais que passam pela arquitectura, fotografia e arte de rua. Procura estimular a curiosidade e a surpresa dos habitantes da cidade e das pessoas que visitam as suas exposições. 

Slinkachu é um artista londrino que se dedica a promover intervenções urbanas distribuindo pela cidade miniaturas de um conjunto de objectos, tais como, pessoas, animais e objectos, insectos mortos e lixo urbano. Esta sua intervenção cria cenários liliputianos que depois são integrados na cidade de Londres. Trata-se pois de uma intervenção na cidade muito interessante, onde pequenas figuras surgem indefesas no caótico cenário urbano e na sua dimensão XL. 

De algum modo este autor procura mostrar pela intervenção que faz a solidão e melancolia das grandes cidades e, como cada um se pode sentir perdido a esta escala de representação. Por outro lado a sua mensagem também passa pela necessidade que a cidade seja um espaço acessível a todos e, a necessidade que todos têm de empatia para ter sucesso nesse ambiente.
Do resultado do seu trabalho foi construído um livro de nome, “Little People of the City.”
O seu trabalho pode ser visto aqui.

domingo, 1 de abril de 2018

abril


Celebra-se o vinte e cinco
de Abril de setenta e quatro,
pois Abril é revolução
no ar, sim, como no chão,
onde alguém desenha a giz
a silhueta futura
de Portugal, um país
que, tantos fogos passados,
certa manhã renasceu
das cinzas da ditadura.

Abril é também promessa
de tesouros no Estio,
que está longe  (ainda é frio).
águas mil por certo vêm,
mas outros dias já trazem
uma luz azul também.

E este Abril é ainda

o mês em que os livros voam
da mil da mão para a rua,
da tua p'rá minha mão,
e das mãos voam p'ròs olhos
e dos olhos para a mente
e daí p'ró coração.

João Pedro Mésseder, "Abril", in O Livro dos Meses 
Imagem - Copyright - Jettie Rosenboon

sexta-feira, 30 de março de 2018

Começa numa semente


"Como pode algo tão pequeno
transformar-se numa árvore,
e que é uma incrível
grande forma para se ser"

Jennie Webber assina um livro de grande valor pedagógico e educativo na ilustração sobre como uma semente se pode transformar numa grande árvore. Num texto acessível, de Laura Knowles destinado a um público infantil, Começa numa semente é um livro / álbum sobre o crescimento de um semente que sonha crescer, entrar no solo profundo e chegar ao céu. 

A semente vai-se transformando numa árvore de grande imponência, à volta da qual vivem animais de diferentes espécies. A semente sente esse orgulho de ter uma acção protectora, "crescem fortes os seus ramos, que dão sombra e abrigo: uma casa onde os animais se sentem fora de perigo."

A árvore aqui usada para contar esta história é uma Acer pseudoplatanus, de nome comum "bordo". Os leitores deste interessante livro ficam a saber que esta árvore "pode produzir até dez mil sementes por ano", a que se dá o nome de "helicópteros", visto que as sementes em queda esboçam um percurso em forma de rodopio no ar. 

Livro com uma ideia de generosidade pela continuidade da vida e a sua renovação, que podemos testemunhar num dos excertos, "mal as sementes estão prontas, partem no sopro da brisa... e talvez algumas delas venham a ser um dia... árvores cheias de vida." Começa numa semente é um livro interessante para a difusão da ideia do valor do natural e da floresta.

Começa numa semente / Texto de Laura Knowles e Ilustração de Jennie Webber. Tradução de Susana Cardoso Ferreira. Lisboa: Editora 2020 / Fábula, 2018