quarta-feira, 12 de agosto de 2015

O meu primeiro Torga




Um livro escrito por João Pedro Mésseder e que Inês Oliveira ilustrou dando-nos o universo de Torga e a introdução para os mais pequenos desse nome essencial das letras do século XX.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Jorge Amado - O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá

Este é um capítulo curto porque o Verão passou muito depressa com o seu sol ardente e suas noites plenas de estrelas. É sempre rápido o tempo da felicidade. O Tempo é um ser difícil. Quando queremos que ele se prolongue, seja demorado e lento, ele foge às pressas, nem se sente o correr das horas. Quando queremos que ele voe mais depressa que o pensamento, porque sofremos, porque vivemos um tempo mau, ele escoa moroso, longo é o desfilar das horas.
Curto foi o tempo do Verão para  Gato e a Andorinha. Encheram-no com passeios vagabundos, com longas conversas à sombra das árvores, com sorrisos, com palavras murmuradas, com olhares tímidos porém expressivos, com alguns arrufos também...
Não sei se arrufos será a palavra precisa. Explicarei: por vezes a Andorinha encontrava o Gato abatido, de bigodes murchos e olhos ainda mais pardos. A causa não variava: a Andorinha saíra com o Rouxinol, com ele conversara ou tivera aula de canto - o Rouxinol era o professor. A Andorinha não compreendia a atitude do Gato Malhado, aquelas súbitas tristezas que se prolongavam em silêncios difíceis. Entre ela e o Gato jamais havia sido trocada qualquer palavra de amor, e, por outro lado, a Andorinha, segundo disse, considerava o Rouxinol um irmão.
Um dia - um dia em que a aula de canto se prolongara além do tempo costumeiro - quando os bigodes do Gato Malhado estavam tão murchos que tocavam o solo, ela lhe pediu explicação daquela tristeza. O Gato Malhado respondeu:
- Se eu não fosse um gato, te pediria para casares comigo...
A Andorinha Sinhá ficou calada, num silêncio de noite profunda. Surpresa? - não creio, ela já adivinhara o que se passava no coração do Gato Malhado. Zanga? - não creio tampouco, aquelas palavras foram gratas ao seu coração. Mas tinha medo. Ele era um gato e os gatos são inimigos irreconciliáveis das andorinhas.
Voou rente sobre o Gato Malhado, tocou-o de leve com a asa esquerda, ele podia ouvir os latidos do pequeno coração da Andorinha Sinhá. Ela ganhou altura, de longe ainda o olhou, era o último dia de Verão. (págs. 67-68).
  

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Leitores



As palavras como uma sementeira, uma descoberta de ternura em gestos de espanto.
Ilustrações de André Neves

sexta-feira, 10 de julho de 2015

O Principezinho (I)


Uma vez, quando eu tinha seis anos, vi uma imagem magnífica num livro sobre a Floresta Virgem, chamado "Histórias Vividas". A gravura mostrava uma jibóia a engolia uma fera. Fiz-vos esta cópia.

O livro sizia que "a jibóia  engole a presa inteira, sem mastigar. Depois não se pode mexer e passa os seis meses de digestão a dorimir." 

Então, pensei e tornei a pensar nas aventuras da selva, peguei num lápis de cor e fiz o meu próprio desenho. O meu desenho número 1. Ficou assim:

Fui mostrar a minha obra-prima às pessoas crescidas. Perguntei-lhes se o meu desenho metia medo. As pessoas crescidas responderam-me: "Porque é que um chapéu havia de meter medo?"
O meu desenho não era um chapéu. O meu desenho era uma jibóia a fazer a digestão de um elefante. Para as pessoas crescidas entenderem porque as pessoas crescidas estão sempre a precisar de explicações, fui desenhar a parte de dentro da jibóia. O meu desenho número 2 ficou assim:

As pessoas crescidas disseram quer era preferível eu deixar-me de jibóias abertas e fechadas, e dedicar-me à geografia, à história, à matemática e à gramática. E assim abandonei, aos seis anos, uma magnífica carreira de pintor. Ficara completamente abalado com o insucesso do meu desenho número 1 e do meu desenho número 2. As pessoas crescidas nunca entendem nada sozinhas e uma criança acaba por se cansar de lhes estar sempre a explicar tudo.
Escolhi, portanto, outra profissão e aprendi a pilotar. Conheci grande parte do mundo de avião. E, afinal, a geografia acabou por me prestar bons serviços. Saber distinguir a China do Arizona à primeira vista pode ser bastante útil depois de uma noite a voar sem rumo certo.
Com um trabalho deste género tive, evidentemente, uma data de contactos com muita gente importante. Vivi durante anos e anos no mundo das pessoas crescidas. Vi-as de bem perto. Não fiquei com muito melhor opinião delas. 
Mal encontrava uma com um ar um pouco lúcido, fazia-lhe a experiência do meu desenho número 1, que nunca deitei fora. Queria verificar se realmente era capaz de entender alguma coisa. Mas ouvia sempre a mesma resposta: "É um chapéu". Então, não me punha a falar de jibóias, de florestas virgens ou de estrelas. Punha-me ao seu nível. Falava de bridge, de golfe, de política e de gravatas. E a pessoa crescida ficava toda contente por ter conhecido um homem tão sensato.

Antoine de Saint-Exupery, O Principezinho. Editorial Presença. 32ª edição. 2009

domingo, 5 de julho de 2015

Bluebird

There’s a bluebird in my heart that
wants to get out
but I’m too tough for him,
I say, stay in there, I’m not going
to let anybody see
you.
there’s a bluebird in my heart that
wants to get out
but I pour whiskey on him and inhale
cigarette smoke
and the whores and the bartenders
and the grocery clerks
never know that
he’s
in there.
there’s a bluebird in my heart that
wants to get out
but I’m too tough for him,
I say,
stay down, do you want to mess
me up?
you want to screw up the
works?
you want to blow my book sales in
Europe?
there’s a bluebird in my heart that
wants to get out
but I’m too clever, I only let him out
at night sometimes
when everybody’s asleep.
I say, I know that you’re there,
so don’t be
sad.
then I put him back,
but he’s singing a little
in there, I haven’t quite let him
die
and we sleep together like
that
with our
secret pact
and it’s nice enough to
make a man
weep, but I don’t
weep, do
you?                                     
Charles Bukowski, "Blue Bird". The Last night of the esrth poems. 1992.

150 years of Alice in Wonderland in pictures (I)

… this time she found a little bottle 
on it (‘which certainly was not here before,
’ said Alice), and tied round
 the neck of the bottle was a paper
label with the words ‘DRINK ME’
beautifully printed on it in large letters.”


Illustration: 
Sir John Tenniel/Alice’s Adventures in Wonderland: Illustrations © Macmillan 1995 (Via http://www.theguardian.com)

segunda-feira, 29 de junho de 2015

O Principezinho

«Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.»

É um livro imortal pelo que nos dá de ler o essencial do que podemos ser. A história de um principezinho que de um asteróide visita a Terra e encontra um amigo, as suas experiências, os objectos, os quotidianos na descoberta do que mais importante podemos ousar construir. Com ilustrações de Antoine de Saint-Exupéry é uma descoberta que desde a sua publicação inicial em 1943, nos transmite valores tão essenciais para dias onde o coração e o que é justo está ausente do essencial dos dias. Iremos deixar por aqui, em posts sucessivos, alguns dos seus fragmentos com as ilustrações desenhadas pelo seu autor.

domingo, 21 de junho de 2015

Finalmente o Verão

Saído no Planeta Tangerina, Finalmente o Verão, é um livro de grande valor educativo para os mais novos e para os gostam de ler literatura juvenil. Histórias de amizade e cumplicidade entre jovens, no Verão em Awago Beach. É um livro sobre o fim da infância, a entrada na adolescência e as dificuldades, os sentidos e as dores que a acompanham. O livro é referenciado como um grande livro e assim nos parece. Este livro obteve um conjunto de prémios de grande significado como:
- Caldecott Honour, atribuído pela American Library Association, 2015
- Printz Honor, atribuído pela YALSA, 2015
- Governor General’s Literary Award for Children’s Illustration, Canadá, 2014
- Notable Children’s Books of 2014 pelo The New York Times Book Review
- Best Books of the Year 2014 pelo School Library Journal
- Horn Book “Best Book of 2014” (Categoria Ficção)
- Ignatz Award, atribuído pela Small Press Expo, 2014
Os desenhos são também um dos pontos mais envolventes do livro, de grande envolvência com a história. O livro junta um desenho gráfico em que alia técnicas de manga e prosa literária moderna. Sugerido como livro para leitores a partir dos 13 anos, ele pode ser lido por leitores bem mais velhos, pois as suas páginas retratam as aventuras que todos gostamos de experimentar. Um livro a descobrir pelo Verão e neste Verão. 

quinta-feira, 18 de junho de 2015

A maior flor do mundo

As histórias para crianças devem ser escritas com palavras muito simples… Quem me dera saber escrever essas histórias…
Se eu tivesse aquelas qualidades, poderia contar, com pormenores, uma linda história que um dia inventei… …seria a mais linda de todas as que se escreveram desde o tempo dos contos de fadas e princesas encantadas…

… havia uma aldeia. …e um menino.

… sai o menino pelos fundos do quintal, e, de árvore em árvore, como um pintassilgo, desce o rio e depois por ele abaixo…
Em certa altura, chegou ao limite das terras até onde se aventurara sozinho. Dali para diante começava o “planeta Marte”. Dali para diante, para o nosso menino, será só uma pergunta: «Vou ou não vou?» E foi. O rio fazia um O rio fazia um desvio grande, afastava-se, e de rio ele estava já um pouco farto, tanto que o via desde que nascera. Resolveu cortar a direito pelos campos, entre extensos olivais, ladeando misteriosas sebes cobertas de campainhas brancas, e outras vezes metendo pelos bosques de altas árvores onde havia clareiras macias sem rasto de gente ou bicho, e ao redor um silêncio que zumbia, e também um calor vegetal, um cheiro de caule fresco.

Ó que feliz ia o menino! Andou, andou, foram rareando as árvores, e agora havia uma charneca rasa, de mato ralo e seco, e no meio dela uma inclinada colina redonda como uma tigela voltada. Deu-se o menino ao trabalho de subir a encosta, e quando chegou lá acima, que viu ele? Nem a sorte nem a morte, nem as tábuas do destino… Era só uma flor. Mas tão caída, tão murcha, que o menino se achegou, de cansado. E como este menino era especial de história, achou que tinha de salvar a flor. Mas que é da água? Ali, no alto, nem pinga. Cá por baixo, só no rio, e esse que longe estava!... Não importa. 

Desce o menino a montanha, atravessa o mundo todo, chega ao grande rio, com as mãos recolhe quanta de água lá cabia, volta o mundo atravessar, pelo monte se arrasta, três gotas que lá chegaram, bebeu-as a flor com sede. Vinte vezes cá e lá… Mas a flor aprumada já dava cheiro no ar, e como se fosse uma grande árvore deitava sombra no chão. O menino adormeceu debaixo da flor. Passaram as horas, e os pais, como é costume nestes casos, começaram a afligir-se muito. Saiu toda a família e mais vizinhos à busca do menino perdido. E não o acharam. Correram tudo, já em lágrimas tantas, e era quase sol-pôr quando levantaram os olhos e viram ao longe uma flor enorme que ninguém se lembrava que estivesse ali. Foram todos de carreira, subiram a colina e deram com o menino adormecido. Sobre ele, resguardando-o do fresco da tarde, estava uma grande pétala perfumada…

Este menino foi levado para casa, rodeado de todo o respeito, como obra de milagre. Quando depois passava pelas ruas, as pessoas diziam que ele saíra da aldeia para ir fazer uma coisa que era muito maior do que o seu tamanho e do que todos os tamanhos. Este era o conto que eu queria contar. Tenho muita pena de não saber escrever histórias para crianças. Mas ao menos ficaram sabendo como a história seria, e poderão contá-la doutra maneira, com palavras mais simples do que as minhas, e talvez mais tarde venham a saber escrever histórias para crianças… 

Quem sabe se um dia virei a ler outra vez esta história, escrita por ti que me lês, mas muito mais bonita?...

José Saramago. A maior flor do mundo. Ilustrações de André Letria.
Fundação José Saramago. 2013

Saramago - histórias para crianças

"E se as histórias para crianças passassem a ser obrigatórias para adultos? Seriam eles capazes de aprender realmente o que há tanto tempo têm andado a ensinar?"

A escrita em Saramago procura algo mais fundo, que é o que somos como humanidade, o que nos limita, que sonhos temos e que fundo nos modela. A maior flor do mundo, um dos seus "pequenos" livros, nessa ideia que ele tinha de que seria difícil escrever para leitores que utilizam poucas palavras. Mas A maior flor flor do mundo é um livro notável. Retrata-nos a destruição ambiental num mundo pouco preocupado com a respiração humana, com o valor dos indivíduos como pessoas. 

A flor de dimensões imensas aparece-nos como uma sátira a uma humanidade esquecida de si própria. A grande questão é de como tanto conhecimento se torna fútil e estéril, incapaz de conduzir os homens por caminhos de real sabedoria. Poderiam as histórias para crianças resgatar esse esquecimento? É uma ideia, no mínimo sedutora e de grande esperança. 

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Amanhecer...

FLORES

Era preciso agradecer às flores
Terrem guardado em si,
Límpida e pura,
Aquela promessa antiga
Duma manhã futura

SophiaNo Tempo Dividido
Imagem: A minha primeira Sophia, Ilustração de Fernanda Fragateiro

domingo, 14 de junho de 2015

Os livros...

A meio de outra manhã de outro dia qualquer, aí por volta das onze horas, o Puff apareceu sem ter entrado no escritório do senhor Pina.
«Viva! O que estás a fazer?»
«Estou a escrever um livro para a Sara e para a Ana. O Inventão.»
«Ah e é um livro para crianças, então?»
«Quando for lido por uma criança é um livro para crianças. Quando for lido por um adulto é um livro para adultos. Os livros não são “para”, os livros são.



(Álvaro Magalhães, O Senhor Pina, Assírio & Alvim)

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Na memória de Lewis Carroll

Sob luminoso céu, num sonho,
Desliza o barco, vagarosamente.
Era uma tarde de Julho...


Abraçadas, três crianças
De olhar brilhante, ouvido atento,
Felizes, escutam ingénua história.

Empalideceu já o luminoso céu,
Perderam-se as vozes e as lembranças,
Geadas outonais invadiram o calor do Verão.

Outras crianças escutarão ainda
Esta história, de olhar brilhante, ouvido atento,
Amorosamente abraçadas.

Viajando no Mundo das Maravilhas,
Esquecidas dos dias que passam,
Esquecidas dos Verões que morrem.

Deslizam na onda, sonham,
Demorando-se no brilho da Luz...
E a Vida, o que é, senão um sonho?

Lewis Carroll. (2010). Alice do outro lado do espelho. Publicações Europa-América.
(No aniversário dos cento e cinquenta anos da publicação da maior figura, como personagem da literatura juvenil, Alice no País das Maravilhas).


domingo, 7 de junho de 2015

Na memória de Astérix

A Banda Desenhada Astérix foi criada por René Goscinny e Uderzo há pouco mais de cinquenta anos, justamente a vinte e nove de Outubro de 1959. A primeira aparição foi apresentada na Revista Pilotee e o sucesso tem sido imenso ao longo de todos estes anos. Já foram publicados mais trinta álbuns, fizeram-se várias adaptações ao cinema assim como foram colocados à venda imensos produtos relacionados com os heróis da aldeia da Gália. Foi ainda criado um parque temático para ilustrar a magia de Astérix, Obélix e amigos.
O divertimento de Astérix passa pela forma criativa de uma aldeia a resistir ao domínio romano. Obélix, amigo de Astérix, com uso da sua força sobre-humana e Panoramix, o druida lutam magicamente contra os «loucos» romanos. Astérix usa uma linguagem que atraiu todos os seus leitores, assim como as referências feitas ao próprio século XX nas diferentes características dos povos que entram nos diferentes álbuns.

Astérix é no entanto muito mais que uma divertida história de quadradinhos. Astérix e a aldeia na Gália são a representação da França, do seu orgulho como País, da sua cultura a tentar resistir num mundo contemporâneo onde o império anglo-saxónico dominava já claramente.

Hoje, talvez não seja excessivo dizer que Astérix representa a humanidade no sentido da individualidade de comunidades que se apresentam diversas perante um mundo global. Falta-nos a poção de Panoramix e é por essa universalidade alcançada que Astérix é uma das grandes construções de ideias do século passado.

Imagem in, evaldolima.blogspot.com

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Dia mundial da criança - Pessoa e a infância

NOUTRO LUGAR
Criança, vamos partir,
Partir p’ra Outro Lugar.
Lá, os dias são suaves 
E os campos sempre a brilhar.
Lá, a lua brilha sobre
Quem vagueia em felicidade.
Fia sua luz e sombra
Teceu de imortalidade.
Lá, ver coisas é ser jovem,
Novos os contos contados,
Lá, sonhos reais se cantam
De lábios por nós olhados.
Lá o tempo é alegria,
Vida é sede saciada,
Amor é como o do beijo
Da boca primeiro beijada.
Nada de barcos, criança,
Só nossa esp’rança a remar,
Inda fresca a fantasia.
Busquemos Outro Lugar!
Fernando Pessoa " Rabequista Mágico" In Poesia Inglesa II , Assírio & Alvim , edição e tradução de Luísa Freire, 2000.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Leitores apaixonados

O Pó dos livros é um blogue e igualmente uma livraria. Aqui encontrámos um pequeno texto real, que nos traz esse gosto delicioso por compreender e por isso por perguntar, sempre numa atitude de curiosidade quase infinita. São encontros com crianças que parecem nascidos de uma iluminação que maravilha e que gostaríamos de compreender como elas lá chegarem, para que a outros fosse possível descobrir o reino que está diante dos seus olhos. Eis um desses relatos que nos entusiasmam.

«
Desceu a escada que dá acesso aos livros infantis a correr, não tinha mais de 9 anos, daquelas miúdas cujos olhos brilham só pela aproximação dos livros. A vontade de levar todos era imensa, mas a mãe trouxe-a à terra e lembrou-lhe que a vontade que ela tinha de ler era proporcionalmente inversa à quantidade de dinheiro disponível para comprar livros. E que só chegava para um. O ânimo não diminuiu, só não sabia qual escolher, já tinha lido aquele, o outro e também toda a colecção respectiva, tinha gostado de todos. Estava muito indecisa. A mãe nitidamente não tinha tido tanta sorte como a sua filha no que se refere ao acesso aos livros, e talvez por isso não se sentisse à vontade para escolher um.
Pede-me para lhe indicar um livro, um que dure mais do que os anteriores – «é que ela lê com uma velocidade impressionante e eu não tenho dinheiro para tantos livros». Escolhi um, um livro mais a sério, grosso, só com letras, um de que a minha sobrinha de 13 anos tinha gostado imenso. A miúda tinha nitidamente capacidade para este e para mais, se fosse preciso. Ao dar-lho para as mãos, a menina diz: - Vou lê-lo num instante… se não, gostar posso vir trocá-lo? Sabia que era um estratagema para poder ler mais com o mesmo dinheiro, mas respondi:
– Sim, podes. Eu sei que é politicamente incorrecto e que na maior parte das vezes não é verdade, mas, para uma criança, o facto de os livros não estarem imediatamente à mão pode funcionar como o melhor incentivo à leitura».
Jaime BulhosaPó dos Livros
(Imagem, Vanessa BellAmaryllis e Henrietta,
in Mulheres Que Lêem São Perigosas)

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Ilustrações - Beatriz Martin Vidal


  

O sonho e a fantasia como formas de construir o real, o valor possível dos instantes, apenas sendo, existindo para eles, como uma dádiva da vida. 

terça-feira, 26 de maio de 2015

Alma

Alma realizado por Rodrigo Blaas (disponível em https://vimeo.com/4749536)

Guião, Direcção Direção Artísitica: Rodrigo Blaas
Produção: Cecile Hokes; Música: Mastretta

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Primeira folha

"Viajando no mundo das maravilhas
 esquecidas dos dias que passam 
demorando-se no brilho da luz..." (1)

O conhecimento e o contacto com crianças mais pequenas, entre bibliotecas escolares fez-me conhecer, talvez antes reconhecer melhor o que é a imaginação servida no quotidiano. Verifiquei que nesse universo, há uma emoção muito própria, uma linguagem diferente, singular, que se serve das imagens e dos objectos para caminhar entre os sorrisos, numa viagem onde a fantasia responde a todas as dúvidas.

É o reino da literatura infantil e juvenil, onde o tempo está ainda preso pelo vento e as manhãs sorriem ao sol, por caminhos, estradas e mares onde cada figura nos conduz por entre as searas e as urzes. E nelas achamos as mais fantásticas figuras, sempre a sonhar com a maior das aventuras.

Caderno de aventuras é uma simples ideia, nem sequer original, realizada em diferentes endereços e suportes por outros, há mais tempo, com mais experiência, mas com uma igual vontade de falar sobre o encanto fantástico da infância. Este caderno procura ser uma ilustração de aventuras, uma admiração pelo sonho dos que viajam na imaginação e uma janela aberta aos beijos que entram pela cor e traço dos escritores, ilustradores, poetas e músicos.

Não pretende ser um blog especializado sob a área da infância, mas apenas um olhar admirado, assombrado sobre algo que é um fascínio, essa doçura sobre o conto infantil de quem não parecendo saber muito tem algumas respostas,  e sobretudo perguntas infinitas. Aventuras de peixes e borboletas, "num mundo de maravilhas", onde crianças, objectos e fadas enfeitam o jardim das histórias.

(1) Lewis CarollAlice do outro lado do espelho